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A escassez de crédito para empresas e a venda de ativos para investimentos

A escassez de crédito e a consequente venda de ativos das empresas: Aplicar recursos financeiros em empreendimentos no Brasil não é uma tarefa fácil e barata. De acordo com o Banco Central, através das Estatísticas Monetárias e de Crédito, a taxa média de juros para empresas, em fevereiro, ficou em 28,1% ao ano. As informações são de crédito livre, onde os bancos estipulam os encargos a serem cobrados sem qualquer interferência estatal. Diante de tal cenário, uma opção que ganha destaque é a utilização de receitas não operacionais para investimentos. Sim! Utilizar bens de ativos permanentes é uma possibilidade para o fim da busca excessiva de créditos para empresas.

Em um momento de crise agravada pelas restrições causadas pelo Coronavírus, a quantidade de crédito disponível às empresas não acompanhou a recessão. Com menos dinheiro no mercado, os critérios para a concessão de empréstimos se tornaram ainda mais rigorosos. Some a isso o aumento da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central para 2,75% e com especialistas projetando que chegue a 5,5% até o final do ano. O índice é uma das variáveis utilizadas pelos bancos para definir os valores a serem cobrados nas linhas de financiamentos. Logo, está mais caro conseguir crédito. Por fim, sem perspectivas da recuperação da economia nacional, se torna ainda mais incerto que o investimento trará o retorno necessário para quitá-lo futuramente.

A venda de ativos da própria empresa para investimentos.

Para driblar a escassez de crédito no mercado, as empresas estão recorrendo às suas receitas não operacionais para conseguir fazer caixa para investimentos. A Receita Federal entende como receitas e despesas não-operacionais as decorrentes de transações não incluídas nas atividades principais ou acessórias que constituam objeto da empresa – transações com bens do ativo permanente. Conhecida também pela denominação “Outras receitas e outras Despesas”, são ativos como aplicações que não podem ser convertidas em dinheiro facilmente, tais como veículos e até mesmo imóveis e os bens intangíveis.

Porém, fazer a leitura para a tomada da decisão da venda de ativos da própria companhia é um grande desafio aos executivos. Para ser realizado com sucesso, o procedimento consiste em conhecer intimamente todos os dados internos e o mercado de atuação da empresa. Assim, há condições de definir quais produtos podem deixar de ser fabricados, quais equipamentos e estruturas podem ser devolvidos e ou vendidos. Essas estratégias permitem que os modelos de negócios sejam equilibrados, maximizando o crescimento e reduzindo os riscos.

 Através desse movimento é possível alavancar os preços dos itens essenciais a serem vendidos, reestruturar as estratégias para remover eventuais duplicidades – seja de produtos ou processos -, reavaliar contratos e desfazer os que não forem interessantes à companhia. Para isso, ter profissionais capacitados é essencial para o êxito da ação. A contratação de um escritório especializado no assunto também é recomendada quando não existe um colaborador com tal conhecimento no quadro de funcionários. Entenda que o recrutamento da assessoria deve ser visto como um investimento de médio a longo prazo.

A importância dos ativos intangíveis.

Os ativos intangíveis são os que não possuem existência física, mas tem valor econômico – apesar de difícil mensuração de suas cifras. Podemos citar como exemplo as marcas, software, direitos autorais, patentes, licenças e a base de clientes. É provável que esse grupo esteja entre os mais valiosos da empresa. Por isso, precisam ser avaliados se, de fato, são úteis ao seu empreendimento no momento. Reduzir o seu portfólio de marcas pode ser uma oportunidade para investir nas que são mais rentáveis ou focar na criação de novos produtos.

É cada vez comum também vermos empresas terceirizando a sua produção. Com isso, elas conseguem concentrar esforços na criação e na venda. Para isso, transferem a produção para uma segunda organização e, consequentemente, não precisam ter esse tipo de ativo imobilizado em seu portfólio, abrindo espaço para outros tipos de investimentos.

Pequenas e médias empresas: apesar da escassez de crédito e crescente endividamento, são o motor da geração de empregos no Brasil.

Para se manter vivas, as empresas estão se endividando. De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, o déficit dos estabelecimentos nacionais subiu para 73,5% no primeiro semestre de 2020, indicando a necessidade de financiamento externo com taxas atrativas. Apesar de terem muitos entraves para vencer a escassez de crédito, as micro e pequenas empresas são as maiores responsáveis pela criação de novos postos de trabalho no Brasil. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com base nos dados do o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, os empreendimentos desse porte geraram 68,5% dos empregos no Brasil em fevereiro de 2021. Os números reforçam a importância desse grupo para o mercado formal de empregos, uma vez que são responsáveis por, em torno de, 54% dos empregos com carteira assinada. 

Como vimos, mesmo com a venda de ativos, algumas empresas ainda necessitam ir ao mercado em busca de crédito. Para isso recomendamos a realização de uma grande pesquisa e a comparação de todas as taxas que incidem no empréstimo. Os bancos de desenvolvimentos regionais geralmente possuem linhas de crédito para diferentes tipos de investimentos. O Banco do Povo, o Banco Desenvolve SP e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são instituições que costumam ter as melhores taxas totais. Outra dica importante é conversar com o gerente da sua agência. Ele está a par de suas movimentações e pode te indicar uma linha diferenciada por já ser cliente da corporação.

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