minha empresa está falindo

Minha Empresa Está Falindo! Como Recuperá-la?

Minha Empresa Está Falindo! Como recuperá-la?  Primeiro conceito:Quebrando ou Falindo?

A primeira coisa é essa definição. Muita gente confunde essas palavras, e elas estão realmente muito próximas quando se fala das condições da empresa, porém o termo “falindo” já indica o status legal da situação da empresa, enquanto podemos nos referir a quebrando enquanto a empresa está a caminho desse status. Ainda que a passagem de um estado para o outro seja uma linha sutil, enquanto as implicações legais não se avolumaram para o estado de falindo, pode ser possível levantar a empresa.

Antes de qualquer coisa, é necessário entender como e porque sua companhia chegou a este estado. Dentre as principais características de empresas rumo à falência estão as poucas vendas, os estoques cheios e ausência de capital de giro. Somente após detectar o problema é que se pode dar início a um planejamento. Temos um vídeo que fala melhor sobre os estágios de declínio de uma empresa.

Como salvar uma empresa que está quebrando?

1. Organize a visão sobre o negócio

Quando, na nossa expertise, encontramos negócios em estado crítico, não é incomum que o proprietário esteja tão focado na insuficiência de caixa e nas dificuldades de cumprir com a folha de pagamento, que deixe de ter uma visão panorâmica da empresa. É preciso enxergar com bastante clareza cada departamento da empresa: quanto custa, o quanto este departamento é essencial para a continuidade do negócio e se não seria mais em conta terceirizar o serviço.

Sabemos, por exemplo, que o custo de certos cortes pode vir a ser muito alto, e voltaremos a falar sobre corte de pessoal mais à frente neste artigo, mas agora eu gostaria de te dar um exemplo de uma indústria farmacêutica que atendemos recentemente. O caso é real, mas como nossa política de discrição não permite expor clientes, vamos nos ater somente ao exemplo, para ilustrar o conceito.

A empresa, muito antiga, tinha em sua linha de produtos fármacos diversos, do tipo OTC, ou seja, daqueles que não precisam de receita para serem vendidos. Mas a grande maioria destes produtos dependiam de liberação da ANVISA para serem comercializados, e esta agência mudou determinadas especificações de fabricação que do dia para a noite derrubou praticamente TODA a linha de produtos desse laboratório, restando apenas 3 produtos comercializáveis. A salvação parecia impossível: 3 produtos jamais manteriam a estrutura funcionando como estava e o endividamento se alavancou rapidamente para 4:1.

2. Começam as medidas: cortes inevitáveis

Se a empresa está quebrando, o ideal é reduzir as despesas. Para isso, o empreendedor deve calcular todas as suas despesas mensais, além das suas dívidas – tanto as do negócio, quanto as pessoais.

As mesmas, não só as dívidas, também as despesas comuns, devem ser organizadas por categoria. Em nosso canal no YouTube há um vídeo sobre OBZ que fala sobre ordenar e cortar custos.

Essa técnica, o OBZ, depende de um processo de implementação e consiste em uma reeducação de gerenciamento de gastos da empresa. A depender do tamanho da empresa, pode ser necessário um processo que chamamos de anterior ao OBZ, que foi o que implementamos na indústria farmacêutica, com a qual continuaremos nosso exemplo. O processo é o que chamamos de OMP. Nesse processo, cada executivo se responsabiliza diretamente por cada unidade de custo de cada departamento, em uma reunião geral de executivos, de modo que todos tenham consciência da necessidade de cortes e do peso dos custos de cada departamento.

Essa medida é de extrema importância para envolver toda a empresa no processo de “auto salvação”: um Turnaround começa sempre de dentro para fora para tirar a empresa do vermelho.

Naturalmente, no caso da nossa empresa exemplo, não tivemos outra saída senão cortar todos os funcionários e vender todo o maquinário envolvido com os produtos que haviam sido inviabilizados. Cortes assim não são nada agradáveis de serem feitos, mas são, muitas vezes, a única saída. Figurativamente falando, é melhor desligar quatro funcionários e manter outros oito trabalhando, do que falir e deixar doze famílias sem porvir. Claro que esse é um momento triste e delicado, porém é inevitável.

3. Renegocie seus débitos – a Recuperação Judicial

Em princípio, um dos passos mais importantes que uma empresa que está indo mal deve dar é entrar em contato com as instituições financeiras para fazer uma renegociação das suas dívidas. E quando a alavancagem inviabiliza essa possibilidade, a saída é uma Recuperação Judicial.

Mas não se engane com a recuperação judicial: é um processo caro e lento, que depende de muita negociação e estratégia. A recuperação da empresa farmacêutica que estamos usando de exemplo foi feita um pouco antes das mudanças recentes da lei de recuperação judicial. Cabe aqui ressaltar que na nova lei, bem a grosso modo, duas novas condições se apresentam: é preciso uma certidão negativa de débitos federais e os credores têm poder de propor o plano, o que torna o processo como um todo mais técnico, com mais complicadores. Quanto aos débitos federais, uma possível saída é uma pesquisa por Saldos Não Alocados (se quiser leia mais sobre isso aqui),mas de qualquer maneira a habilidade negocial é importantíssima neste momento.

Voltando à nossa indústria exemplo, a Recuperação Judicial lhes proporcionou um stay period (período em que credores não podem pedir a falência da empresa) que permitiu uma reorganização tanto financeira quanto de linha de produtos. O negócio foi “blindado” para poder se reinventar.

Muitas vezes esta é a única maneira de salvar uma empresa que está quebrando.

Se não for feito com muito cuidado, o processo sofre uma convolação e passa a ser um processo de falência.

4. Cautela na demissão de funcionários

O principal equívoco de uma companhia que está prestes a decretar falência é fazer demissões desordenadas de funcionários.

Isso funciona assim, pense: sua empresa está quebrando, ou quase falindo, este é o momento no qual você mais precisará de seus colaboradores, afinal quanto mais pessoas trabalhando em prol de um objetivo (a recuperação da empresa), mais rápido e efetivo será o resultado. É justamente aí que boa parte das empresas nesta situação peca.

Portanto, evite medidas precipitadas. Uma empresa precisa tanto dos seus funcionários, quanto eles dela. Demissões devem ser muito bem planejadas, visando apenas os cortes de custo desnecessário.

Lembrando também que no caso da tentativa de salvação de uma empresa em uma Recuperação Judicial, o pagamento de dívidas trabalhistas é prioritário.

COMO TIRAR A EMPRESA DO VERMELHO

1 . Aporte de FIDC

É possível conseguir o aporte de capital de um FIDC em uma empresa nestas condições? A resposta é sim, mas depende justamente da construção de cenário.Um FIDC é uma empresa que como qualquer outra tem um serviço: basicamente pode-se dizer que um FIDC aluga dinheiro. Ele empresta para a empresa e espera receber de volta com juros, como um banco, mas com a diferença de ser um pouco mais flexível do que eles. Mas de qualquer maneira o momento mais provável de se conseguir este tipo de apoio é para financiamento de produção: se o agente de FIDC entender que você está cobrindo folha de pagamento, ele provavelmente vai negar o pedido. A primeira coisa que será solicitada por um FIDC é o que é informalmente chamado de kit banco: a situação estatutária da empresa, os últimos DREs, o perfil de endividamento, informação de estoque e etc…. Eles precisam fazer isso por segurança mínima para aportar, e a depender da análise, pode-se antecipar recebíveis (o que é mais fácil, sobretudo se forem recebíveis de diversas fontes) ou fazer um empréstimo com garantia real, envolvendo a penhora de bens da empresa, o que demanda uma análise mais minuciosa. 

Cabe lembrar aqui que muitos FIDCs se sentem mais seguros para aportar capital se houver uma consultoria de confiança deles auxiliando no processo e fazendo gestão dentro da empresa. Essa é uma boa maneira de tirar uma empresa “do vermelho”.

No caso da empresa em que estamos acompanhando em paralelo como exemplo neste texto, a indústria farmacêutica que do dia para a noite perdeu 70% da possibilidade da venda de produtos, eles felizmente puderam contar com o aporte de fundos da família que controla o negócio, o que facilitou bastante a retomada para tirar a empresa do vermelho.

2. Inovação

Compreendemos que pensar em inovar estando a beira da falência pode parecer um pouco improvável. Porém é muito importante. No caso da empresa que mencionamos acima, o que eles fizeram? Depois do choque de perder quase toda sua linha de produção e ficar com apenas três produtos, eles tiveram que “tirar a criatividade da gaveta”. Além de fazer todo o possível para impulsionar a venda daqueles que eles podiam vender, incentivando o time de vendas, eles começaram a reelaborar produtos que até então não estavam recebendo desenvolvimento, e também começaram a pensar em produtos que teriam aderência de mercado e que eles poderiam, sem problemas, produzir. Além disso, começaram a focar no marketing digital para impulsionar campanhas, consciência de marca e vendas.

Em outros casos já vimos empresas que foram buscar representações comerciais de produtos importados que teriam aderência ao público já cativo, ou parcerias com outras empresas para fazer “pacotes” de produto e agregar valor indireto a produtos que antes não eram tão lucrativos assim. 

O olhar para a inovação se baseia em dois pilares importantes: conhecer bem o seu negócio e ao mesmo tempo ter um olhar “de fora”, diferenciado. Opiniões ajudam muito neste momento.

3. Outras maneiras de se levantar uma empresa com dívidas

A busca de créditos próprios e a renegociação de dívidas tributárias pode ajudar bastante nesse momento. Existem inúmeros recursos legais e tributários que podem ser utilizados a depender do tipo de empresa. Consulte alguns aqui

E Se Não Deu Certo? O Que Fazer Quando Não Foi Possível Salvar A Empresa?

Apesar de todo o esforço, envolvimento pessoal e profissional, investimentos e parcerias, são muitas as empresas que vão à falência no Brasil. Em 2020, mais de 522 mil empresas brasileiras acabaram fechando as portas, devido à pandemia.

É evidente que ninguém quer passar por uma situação de falência. Mas, muitas vezes, fatores externos como um mercado altamente concorrido, uma situação de crise no país e diversos outros,como agora em que temos uma pandemia mundial, acabam levando a um endividamento que foge do controle dos gerentes. Por isso, é fundamental entender como funciona o processo de falência para fazê-lo com cautela e precisão. 

Empresa falida tem que pagar dívidas?

Primeiramente, é importante entender o que, de fato, é a falência. Na maioria das vezes, esse processo é usado para resolver situações de insolvência do empresário. Resumidamente, isso ocorre quando a empresa não tem ativos suficientes para quitar as dívidas que foram contraídas.

Portanto, a primeira consequência do processo de falência é que o devedor é afastado de suas atividades, sendo substituído por um administrador judicial, que é apontado pelo juiz. Este administrador é quem vai gerir os demais recursos da empresa, garantindo os interesses dos credores da massa falida.

Isso significa liquidar todos os ativos da empresa, de modo a pagar as dívidas de acordo com a ordem prevista na lei. Caso a empresa falida seja uma sociedade, cada um dos membros tem obrigações na quitação das dívidas.

Não Abandone o Barco

Muita gente utiliza o termo falência do jeito errado. O que acontece é que o empresário “quebra”, abandona o negócio e vai embora. Na sequência vem a série de processos que podem ocorrer, em primeira instância os trabalhistas. Depois os credores “mandam a empresa para o pau” e pedem a falência compulsória da empresa e esse processo se arrasta por 15 ou 20 anos.

A depender dos processos, o empresário põe em extremo risco o seu patrimônio, perde o controle de tudo e o CPF fica marcado, por todos estes 20 anos pelo menos.

Mas houveram mudanças na lei de falências, e agora, quando o empresário declara a autofalência, o que também não é um processo simples, as restrições se limitam a três anos apenas.

O Que Acontece Com Os Funcionários?

Outra dúvida comum em um processo de falência é o que acontece com os funcionários. Evidentemente, este processo é muito negativo para eles, especialmente se houver uma situação de salários atrasados, o que é bem comum.

Basicamente, todos os colaboradores ligados à empresa no momento do pedido de falência têm direito aos seus créditos trabalhistas, que incluem o valor das férias, do 13° e do FGTS. Para trazer um pouco mais de alívio aos colaboradores, as dívidas trabalhistas são consideradas preferenciais, sendo colocadas no topo da ordem mencionada acima.

Então, o primeiro passo para entrar com um processo de falência é fazer uma avaliação criteriosa das finanças da empresa, com toda a documentação que a envolve, de modo a ilustrar que realmente não é possível quitar as dívidas nem ter sucesso na recuperação judicial.

Neste caso, é necessário contar com a equipe contábil e com o advogado, para entrar com o processo. Também é preciso apresentar uma série de documentos, que podem ser esclarecidos pelo advogado, cuja função é ilustrar a situação econômica da empresa. Por isso, é vital contar também com um profissional contábil.

O advogado é fundamental nesse processo. Não somente sua presença é obrigatória, mas ele pode tirar todas as suas dúvidas sobre os processos e a documentação necessária. Esta é uma decisão delicada e o trâmite não é simples. 

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Se você está nesta difícil situação e não deseja que sua empresa vá realmente à falência, conheça soluções profissionais para salvar empresas, saiba como podemos ajudá-lo. 

Além de interagir com a postagem no espaço abaixo, assista um vídeo do CEO da Fórmula de Gestão, o Álvaro Marcos, falando um pouco mais sobre o assunto aqui.

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