Sua empresa tem caixa em lugares que você desconhece

Com o tempo comecei a perceber, na minha vida como consultor, que às vezes a solução está “out there”, ou lá fora. Não se deve pensar no caixa da empresa só pelo lado da receita operacional, que é uma tendência que eu constatei nos meus anos de consultoria. Quando o empresário olha para o caixa da empresa e ele está ‘baixo’, é muito comum que o primeiro pensamento seja o de corte de custos. Ele ignora a possibilidade de ter uma Receita Não Operacional.

Bom, é verdade, o custo é que nem unha: tem que cortar todos os dias, como diz o grande Jorge Paulo Lemann. Mas apesar disso deve ser considerado também que muitos cortes sacrificam parte do negócio, especialmente se estes cortes são feitos no custo e não na despesa….

O que se vê, na maioria das consultorias financeiras, é um olhar voltado para o corte de custo, eu prefiro pensar com uma cabeça mais estratégica,pois o corte de custo pode ser  perigoso para o crescimento, e  por isso eu penso mais em corte de despesa, atrelado a geração de receita, em especial a não operacional.

Que deveria ser uma prática comum, mas muitas vezes passa despercebida, ou não é bem explorada, e que pode influenciar positivamente o caixa com recursos vindos de fora do ciclo operacional. Aquelas receitas que não geram custo direto na operação…

E aí as opções aparecem de várias fontes possíveis. Desde uma venda de ativos até uma engenharia tributária correta pode gerar Receitas Não Operacionais que podem mudar a trajetória da empresa. Essa é uma estratégia que não pode ser deixada de lado, mas muitos empresários que eu conheci deixaram. 

Nem sempre eu tive o olhar para este ângulo do negócio, mas com a minha experiência de anos trabalhando com empresas em graves crises financeiras, precisei aprender a conseguir tirar dinheiro de algum lugar para cobrir o giro da operação ou então o negócio morria. 

Certa vez, eu estava atendendo uma empresa do ramo farmacêutico no sul do país, no final do mês e não sabíamos como iríamos arcar com a folha do mês seguinte. Revimos toda linha de produção da empresa e encontramos dezenas de aparelhos parados sem utilidade, anunciamos no google e geramos uma receita de mais 900 mil que salvou o caixa daquele mês.Quando precisamos vender ativos no google, contamos com uma empresa especializada em anúncios no google ads, uma ferramenta robusta cheia de detalhes técnicos e relatórios complexos que norteia basicamente em resultados por busca em determinadas palavras chaves. Esse aporte gerou um fôlego de caixa que nos deu tempo para que as outras mudanças que implementamos começassem a fazer efeito e conseguimos salvar o negócio. (Álvaro deve contar melhor)

Gerar receita não operacional é motivador em casos como este, faz a empresa inteira sentir um ar novo, as pessoas se inspiram e consequentemente o negócio cresce. 

Em meio das tarefas do dia a dia e o cotidiano assoberbado que o empresário tem, não existe tempo para pensar em soluções fora da caixa, e mesmo que o negócio seja extremamente rentável e gere lucros acima da média, um bom planejamento de fluxo de caixa e planejamento tributário pode significar vida longa para empresa.

Uma outra forma de gerar receita não operacional é por meio de REFIT, (revisão fiscal e tributária) uma prática que vem crescendo muito em várias empresas. Se a gente lembra que o governo é um “sócio” da empresa, essa relação tem que ser analisada com muita consciência e cuidado.

Principalmente porque essa “sociedade” é cheia de buracos e injusta para o lado das empresas fazendo perder muito dinheiro. Resolvi listar alguns dos casos mais comuns que seguem:

INSS Patronal, que tem distorções por ser pago até sobre o auxílio-doença, auxílio-acidente, 1/3 de férias e aviso prévio indenizado, férias e licença maternidade/paternidade;

o ICMS/ISS incluídos incorretamente na base de cálculo do Pis/Confins

A multa de 10% do FGTS, que pode ser excluída mas ainda assim é cobrada;

E a recuperação de créditos próprios, que é a recuperação de muitos impostos pagos a mais através de DARFs, também conhecidos como Saldos não alocados… 

Para gerar este tipo de receita você precisa contar com profissionais especializados. No caso das revisões, contamos com advogados e contadores com know-how na área e muitos anos de relacionamento e confiança.

A tributação no brasil é complicadíssima até mesmo para o mais gabaritado tributarista, as mudanças ocorrem em tempo real, por hora mesmo, mais de 2 mudanças de norma tributária por hora.

Em um hospital foi possível reaver mais 9 milhões de tributos pagos a mais somente com INSS patronal.

A dica que fica é:  seu caixa está por um fio? 

Faça uma análise geral do seu negócio, abra o leque e busque por soluções vistas de fora. 

Analise os ativos parados. Frotas de veículos, máquinas encostadas. Tem empresas que têm redundância de espaço de depósito que pode ser sublocado, enfim analisar o negócio do ponto de vista do caixa mesmo.

Analise os passivos e veja de onde vem cada coisa: são juros, dívidas, dívidas tributárias, dívidas com fornecedores, faça um mapa do seu passivo. Entender e ter uma visão bem clara dele ajuda a encontrar soluções.

Analise sua situação fiscal: às vezes um REFIT, uma recuperação de Saldos Não Alocados e outros processos como estes podem representar uma diferença que muda o jogo da empresa, mas nesse caso escolha os profissionais com cuidado. Para a maioria destes tipos de serviços, os profissionais mais sérios não vão te cobrar nada adiantado, eles só cobram no êxito.

Para saber mais:

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