receitas Não Operacionais

Receita Não Operacional é todo o dinheiro gerado por ações que NÃO estão ligadas aos produtos originados pela empresa.

RECEITAS NÃO OPERACIONAIS

A gestão dia-a-dia de uma empresa pode ser bem complicada. Não precisa ser, mas muitas vezes é.

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Por que gerar receitas não operacionais em empresas saudáveis?

Se uma empresa tem um caixa saudável, pode se manter como está? “Time que está ganhando não se mexe?

Time que está ganhando se mexe sim, sempre há melhorias que podem ser feitas, uma empresa com bom planejamento futuro, trabalha pensando em imprevistos que podem acontecer, deixando um caixa reserva para o negócio, a pandemia é uma prova disso, empresas que tinham um fôlego de caixa no momento de crise, passaram com menos problemas.

 

Se o caixa não anda lá essas coisas, tem que ficar o tempo todo correndo de um lado para outro para “apagar incêndios”.

 

De qualquer maneira, uma força a mais no caixa não faz mal a empresa nenhuma.

 

E esse conhecimento vem da gestão dia a dia e a necessidade, muitas vezes, de socorrer o caixa, foi o que fez nascer um olhar mais apurado para as Receitas Não Operacionais, que podem ser a salvação para um momento de crise, ou um trampolim para o crescimento estratégico que a empresa precisa.

 

Vamos começar do começo.

O que é Receita Não operacional?

Receita Não Operacional é todo o dinheiro gerado por ações que NÃO estão ligadas aos produtos gerados pela empresa, enquanto a Receita Operacional é ligada a justamente o que a empresa produz.

 

Uma fábrica de papel, por exemplo, que produz e vende bobinas de papel e tem um caminhão que usa para entregar sua produção, e resolve, após calcular bem, vender o caminhão e utilizar serviços de logística, fez, com a venda do caminhão, uma Receita Não Operacional.

 

O resultado da venda das bobinas de papel é Receita Operacional. O do caminhão não.



O que marca o limite entre Receita Operacional e Receita Não Operacional é o EBIT.

 

Earnings Before Interest and Taxes – ou Lucros Antes de Juros e Impostos. Esse KPI é um dos mais importantes na leitura de um negócio. Esse número é o lucro operacional, ou a Receita Operacional. O percentual de EBIT mostra a saúde e a lucratividade de uma empresa, e tudo que acontece até chegarmos nesse número merece muita atenção da gestão.

 

Mas além disso tem o KPI que talvez seja o mais visto, o mais importante: O lucro final.

 

E o lucro final pode mudar muito depois do lucro operacional. Isso porque, como no exemplo da fábrica de papel que vendeu o caminhão, a venda desse ativo entra no DRE, mas é uma Receita Não Operacional.

 

O conceito que abordamos aqui é mais no escopo de gestão de resultados e não contábil.

Receita Não operacional - Outros caminhos

Não é só venda de ativos que pode trazer Receita Não Operacional para uma empresa. De um modo geral, uma reengenharia financeira diminui muito os custos não operacionais. 

O principal ponto da reengenharia financeira, do lado da Receita Não Operacional, ou seja, longe dos cortes internos, é gerar caixa minimizando os custos com serviços prestados que não sejam ligados diretamente ao produto comercializado pela empresa. Ou seja, a tentativa de cortar os famosos custos não operacionais.

Essa economia conta como aumento de receita. Manobras para reduzir juros bancários, troca de empréstimos, renegociações de dívidas e antecipação de recebíveis são práticas bem comuns no mercado.

Algumas empresas, com CFOs mais arrojados, fazem investimentos em bolsa de valores com capital excedente, e a empresa pode até comprar partes de outras empresas e se tornar acionistas delas, uma prática muito comum em M&A (Mergers and Acquisitions) ou “Fusões e Aquisições”.

O ponto importante de se buscar Receitas Não Operacionais é variar as fontes de receita da empresa de modo seguro.

E uma Receita Não Operacional que pode ser bem explorada por empresas são as revisões fiscais-tributárias. Há uma boa gama de possibilidades. Segue alguns exemplos:

Recuperação de Créditos Próprios

As bitributações, os erros de preenchimento de DARF, e uma série de impostos Federais que são pagos a mais por empresas que podem ser recuperados na busca de Saldos Não Alocados na conta inativa da União, abrangendo os últimos cinco anos. Saiba mais aqui.

Exclusão do ICMS/ISS da Base de cálculo do PIS/COFINS

A mudança recente na lei permite uma revisão que pode ser também muito vantajosa. A possibilidade é a de recuperação dos tributos pagos indevidamente nos últimos 5 anos.

Exclusão da multa de 10% do FGTS por demissão sem justa causa

A multa de 10% do FGTS, cobrada do empresário na ocasião de desligamento de funcionário sem justa causa já não é válida, pois foi instituída para cobrir um déficit de caixa gerado no FGTS, em decorrência dos planos Collor e Verão.

Energia Elétrica – Ilegalidade do ICMS sobre TUST e TUSD

A conta de luz da sua empresa anda cara demais?

A cobrança de conta de energia elétrica contém encargos que podem ser questionados na justiça. Há duas tarifas, a de transmissão (TUST) e a de distribuição (TUSD) que são cobradas do consumidor, tanto residencial quanto empresarial. Essas tarifas são somadas à quantia cobrada pela quantidade de energia consumida, e o ICMS incide sobre o valor geral da conta. 

Exclusão de ICMS/ISS da base de faturamento para a desoneração sobre a folha (INSS)

No conceito aplicado pelo Fisco sobre a receita bruta, o valor do ISS e do ICMS pagos na prestação dos serviços e venda de mercadorias deve ser incluído, na base de cálculo dos valores de  INSS, acarretando em um aumento dos impostos que pode ser revertido.

Alíquotas PIS/COFINS sobre as receitas financeiras

As contribuições que seriam cumulativas para o PIS e o COFINS devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, teriam como definição para sua base de cálculo a Receita Bruta. Entretanto, a partir de 28.05.2009, o artigo 79 da Lei 11.941/2009, revogou o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, a base de cálculo passando a ser apenas a  receita bruta da pessoa jurídica.

Recuperação 15% Contribuição Previdenciária paga a Cooperativas

O Supremo Tribunal Federal, em julgamento publicado no dia 08 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário nº. 595.838/SP, decidiu, por unanimidade, pela inconstitucionalidade do recolhimento da contribuição previdenciária de 15% (quinze por cento) incidente sobre a nota fiscal ou fatura dos serviços prestados pelos cooperados através das cooperativas. 

Quais Vantagens Das Receitas Não Operacionais?

Seguindo ainda o ponto de vista da gestão, é basicamente o fato que se gera caixa sem se sobrecarregar a produção. Contudo é preciso cuidado. Toda a Receita Não Operacional envolve também um custo. 

Todo custo não operacional deve ser bem calculado e levado em conta. 

Às vezes o custo de uma operação inviabiliza a lucratividade dela. Já vimos o caso em que um gestor decidiu vender uma máquina que estava obsoleta e quebrada. Fomos levantar as possibilidades de venda e se concluiu que não valeria a pena o custo do conserto. O melhor comprador foi um negociante de metais usados que dispunha de um caminhão munck para retirar a máquina.